13/01/2016

Expo Milão 2015 por Glaucia De Salles Ferro

Preciso começar este post agradecendo a Deus por colocar no meu caminho pessoas  como a Glaucia, minha irmã astral. Ela nasceu no mesmo dia, mês, ano e horário que eu, temos muitas coisas em comum, nos conhecemos muito jovens em uma escola de arte de São Paulo e também é Designer como eu. Ontem estive em Curitiba e nos encontramos em um dos raros momentos porque hoje moramos em cidades diferentes, mas a amizade  que temos é a mesma não importando a distância. Na verdade somos três mosqueteiras nesta história porque tem mais uma amiga desta época, a Marisa com a mesma conexão de amizade e carinho.

No ano passado a cidade de Milão sediou a Expo e solicitei um texto para a Glaucia porque como Doutoranda em Designer e Consultoria Empresarial é a pessoa perfeita para nos contar sobre sua visita ao evento.    (glaucia@frontesul.com.br)

 



 
Falar da Expo Milano 2015 após seu encerramento é homenagear aqueles que organizaram  e participaram deste evento magnífico, onde mesmo em tempos de crise econômica, os países ali presentes deram um show. Um show de arte, de organização e de bem receber! O tema "Nutrir o Planeta, Energia para a Vida", fez com que a criatividade de cada um dos 150 países pudesse ser ali representada.




O projeto do espaço da Expo Milano 2015 do arquiteto Massimiliano Fuksas foi construído como se fosse uma ilha cercada por um canal de água dando aos visitantes a percepção de frescor e de vida. Os cinco pavilhões principais tratavam dos temas : alimento e o futuro, a nutrição infantil, a alimentação sustentável, a relação entre comida e arte e as formas de produção do alimento. Todos muito bem produzidos com cenários realistas, painéis com dados estatísticos e visitas bem organizadas. Uma importante reflexão para esses temas. Na entrada da expo, perto desses  pavilhões havia um batalhão de guardiões (esculturas de aproximadamente 4 metros de altura), todos produzidos com representação de alimentos como cenouras, tomates, abacaxis, melões, laranjas, e todos os tipos de frutas, legumes e verduras. Uma empolgante recepção!





Depois dessa receptividade começar a visitar os 145 pavilhões como se fossem corredores de supermercado para tentar explorar tudo não foi uma opção para quem tinha só dois dias para ver tudo .Eu ,minhas amigas arquitetas e meu amigo músico conseguimos a proeza de visitar 15 pavilhões nos 110 hectares (mil e cem quilômetros) da Expo. Foi uma conquista e tanto! Diante desse desafio escolhemos começar pelo pavilhão do Brasil e foi uma escolha acertada, a entrada do pavilhão era feita pela escalada de uma grande teia de corda. Embaixo desse piso de cordas, as pessoas visitavam canteiros de plantas e hortaliças brasileira. Na parte coberta, uma área mais informativa apresentava painéis com os dados da produção brasileira de alimentos.  No mesmo espaço, uma série de casinhas de passarinhos com mini canteiros de sementes fazia com que as pessoas circulassem de modo livre  apreciando e se divertindo com as inovadoras casinhas de cerâmica branca. Um projeto simplesmente maravilhoso! Que orgulho tivemos do nosso Brasil tão bem representado pelo projeto do talentoso arquiteto Artur Casas. 





No grande espaço da Expo não faltavam restaurantes, lanchonetes, stands especializados em chocolates , outros em vinhos, alguns em cervejas. Haviam banheiros (inclusive adaptados), carrinhos, bicicletas e cadeiras de rodas  para alugar, cadeiras e bancos de todos os tipos e designs para que os visitantes pudessem dar uma pausa. Muitas vêzes nesses locais de grande circulação havia também uma apresentação musical. Além disso, nos amplos corredores haviam cenários com grandes barracas como se fossem de uma feira livre. Eram barracas de frutas, queijos, legumes, carne, vinho. Eram bem realistas e faziam as pessoas pararem para curtir a riqueza de detalhes desses alimentos esculpidos em diversos materiais e técnicas.





Dando sequência à nossa visita vimos cada pavilhão apresentado como um projeto arquitetônico. A Holanda usou materiais alternativos como caixas de maçã, o Equador optou por correntes de metal coloridas formando uma fachada artística e curiosa. A Itália ousou construindo um pavilhão parecido com uma grande escultura branca de madeira reciclada. A China recriou suas plantações de trigo com milhares de varetas com lâmpadas de Led. A  globalização estava ali representada. Na parte interna de cada pavilhão ,cada país com sua cultura, recursos e capacidade de inovação, apresentou de modo claro suas percepções e propostas de sustentabilidade, de valorização do alimento e da preservação da vida.  Entre os 45 pavilhões que visitamos (alguns rapidamente) vários nos chamaram a atenção além do brasileiro, curtimos muito o pavilhão da Polônia, no qual, utilizando de tecnologia interativa , foi instalado um grande painel (como se fosse um cinema). Esse painel apresentava um enorme rosto como se fosse um ser de outro planeta que se mexia de vez em quando. Mas, quando uma pessoa por acaso fazia alguma pergunta a alguém que estava por ali, a figura respondia no idioma da pessoa e começava a interagir com o público. O tema era sempre voltado à sustentabilidade ambiental e a figura era um  Ser que vivia no centro da terra. Foi uma experiência lúdica muito criativa !  O  Reino Unido também esteve  bem representado por meio do pavilhão do artista Wolfgang Buttress. A estrutura metálica de linhas geométricas formava desenhos inusitados numa linda colmeia. A grandiosidade e a riqueza de detalhes fizeram com que esse pavilhão fosse eleito o mais bonito da Expo, conquistando a medalha de ouro. 







Os encantamentos deste evento foram infindáveis, mas o que o diferencia de tantos outros é o fato de que os países, com raras exceções (inclusive os Estados Unidos que apresentou um pavilhão que mais parecia um feira de ciências de uma escola sem criatividade), expuseram ao mundo o melhor que podiam oferecer. Propuseram seus conceitos de sustentabilidade, solidariedade, de tecnologias alternativas para a produção de alimentos mais saudáveis, de geração de energia limpa, de economia da energia, de arte, de arquitetura, de design, de música, de teatro. Até o Circo de Soleil apresentou seu espetáculo A La Vita preparado especialmente para esta oportunidade. A Expo 2015 de Milão fez jus ao centésimo nono aniversário deste evento que começou após a Revolução Industrial e se firma a cada ano como representativo da união dos povos por meio da arte e da cultura! Parabéns aos organizadores, aos países participantes e aos visitantes que coroaram mais esta edição da Exposição Internacional. Que venha Dubai em 2020 com o tema "Connecting Minds, Creating the Future".
 

 
 



 


2 comentários:

  1. Gláucia de Salles Ferro13/1/16

    Obrigada querida amiga Nídia pela oportunidade de compartilhar com os visitantes deste blog super útil minhas impressões sobre a EXPO 2015. Termino comentando que vale a pena se planejar financeiramente para realizar sonhos como este. O meu planejamento começou 2 anos antes e valeu a pena !

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Nós é que agradecemos por suas dicas e participação.

      Excluir