28/06/2014

Museu Vaticano e Capela Sistina em Roma



O Museu Vaticano ou mais precisamente os Museus Vaticanos porque são vários em um mesmo espaço, é o mais procurado por conta de incluir a visita da Capela Sistina, uma obra que sem dúvida é única no mundo e vale a pena ficarem horas na fila, enfrentarem um mundo de gente para visitar. Na primeira vez chorei de emoção porque sempre estudei arte e já havia visto algumas pinturas da Capela em livros, mas ver tudo aquilo ao vivo é muito emocionante. Para ter uma noção de como gosto, tenho um pôster em casa que comprei em uma viagem, que mostra a foto do universo com uma montagem de um pequeno afresco da Capela Sistina feito por Michelangelo representando Deus dando vida a Adão. 

Afresco da Capela Sistina feita por Michelangelo "Deus dando vida a Adão"


Entre tantas pinturas na Capela Sistina e sua arquitetura, o teto e Painel do Juízo Final na parede do Altar são os que mais chamam a atenção, são considerados como um dos maiores tesouros da Humanidade. É difícil acreditar que Michelangelo pintou contrariado porque era um escultor, mas o Papa Júlio II, sobrinho do Papa Sisto IV, obrigou o artista a concluir seu trabalho. Mais tarde foi chamado pelo Papa Clemente VII para pintar o Juízo Final da Bíblia e a obra foi iniciada após sua morte no Pontificado de Paulo III. Em minha opinião, Michelangelo conseguiu uma pintura com efeito tridimensional porque era um escultor e tratou esta obra como uma escultura. É esta a sensação que temos porque as figuras pintadas parecem esculturas no teto que as fotos não conseguem transmitir, mas ao vivo no local são impressionantes.

O Concílio de Trento de 1564 julgou "obscenas" figuras nuas dentro de recintos religiosos e a pintura de Michelangelo na Capela Sistina foi "vestida" com pintura por  Daniel Volterra. Outros artistas importantes também realizaram trabalhos dentro da Capela Sistina como Botticelli, Biagio di Antonio, Signorelli, entre outros.


Juízo Final pintada por Michelangelo na Capela Sistina

Teto da Capela Sistina feito por Michelangelo



O acervo de obras de arte do Museu tem peças desde o Império Romano e grandes coleções adquiridas na Idade Média, onde a Igreja tinha grande influência na sociedade. A Loba Capitolina, a estátua equestre de Marco Aurélio e as esculturas colossais de Constantino, que hoje se encontram no Museu Capitolino, (link do post sobre Museu Capitolino) faziam parte da coleção Papal. Durante o Renascimento  surgiu um interesse maior da sociedade pela arte e cultura clássica da Antiguidade e muitos museus foram criados neste período. O primeiro no Vaticano foi o Pátio Belvedere com a principal obra "Apolo Belvedere",  o Deus da Grécia Antiga que representava entre outras coisas o ideal da perfeição e da inspiração artística, tornando-se símbolo da identidade europeia e da civilização ocidental. Muitos artistas usaram esta figura como inspiração e a mais importante dela que também está no Museu Vaticano é a escultura " Perseu com a cabeça de Medusa, de Antonio Canova. Esta obra substituiu a posição de Apolo dentro do Museu Vaticano quando Napoleão invadiu a Itália e confiscou muitas obras, inclusive Apolo que foi devolvida posteriormente. O Papa Pio VII indicou Canova como inspetor geral de Antiguidade e Belas Artes, e sua principal atuação neste cargo foi trazer de volta à Itália as obras confiscadas por Napoleão.


Apolo

Perseu com a cabeça de Medusa de Antonio Canova


Outra importante obra que também foi levada a Paris por Napoleão e devolvida e uma das minhas preferidas no Museu Vaticano é o Laocoonte e seus filhos. Esta escultura foi descoberta em cinco partes e sem um dos braços quando um produtor fazia manutenção de sua vinha. O arquiteto do Papa Julio II levou Michelangelo ao local, e logo um debate na comunidade artística dividia as opiniões que o braço a ser completado deveria ser esticado, completando uma linha diagonal e Michelangelo defendia que o braço deveria estar dobrado sobre o ombro da figura. Julio II organizou uma competição para definir a posição do braço e Rafael Sanzio, como júri do concurso escolheu uma proposta que representava o braço esticado. A estátua foi completada desta forma, mas o braço original foi descoberto posteriormente na posição que Michelangelo previa. No Museu Vaticano está a escultura original e uma cópia. E outra cópia encontra-se na Galeria Degli Uffizi, em Florença. Esta obra foi uma das principais influências no trabalho de Michelangelo, e o rosto serviu de inspiração para a Igreja  usar como imagem do sofrimento de Jesus na cruz. 






A visita ao Museu passa por diferentes salas como as Tapeçarias de Rafael, a Galeria dos Mapas, Sala Redonda e tantos outros espaços a percorrer com direito a uma parada para um café ou no restaurante que ficam no interior do museu, ou ainda nas Praças internas como o Pátio da Pinha e compra de souvenir. Seria impossível descrever todas as obras do Museu, e para quem deseja saber mais pode comprar vários livros sobre os artistas e suas obras lá expostas nos quiosques internos. Comentei apenas as obras acima como exemplo do acervo do museu, e que em minha opinião possuem uma importância dentro da história da arte.








Nesta viagem fizemos algo "inédito e antigo" porque dentro do Museu Vaticano fica um Ofício Postal para você enviar postais e cartas com o selo do Vaticano. Inédito porque nunca fizemos isto e antigo porque em tempos de internet não vejo mais ninguém enviando cartões postais, mas  foi muito divertido escrever aos familiares.


Correio do Museu Vaticano

As filas podem ser longas para comprar o bilhete, portanto recomendo comprar online pelo site  http://mv.vatican.va/, com várias opções de visita (individual de um dia, grupos, visita guiada, semi privada, especial para peregrinos, universitários, com café da manhã, etc). O bilhete mais simples é o da visita ao Museu e Capela Sistina que custa 16 euros. No dia e hora escolhidos para a visita você deve ir ao ponto de encontro informado no bilhete, normalmente em frente à Entrada do Museu e do lado oposto da calçada, onde pessoas identificadas com placas organizam os grupos para a entrada no museu. Até mesmo para quem compra antecipadamente pode ter uma pequena fila.


Fila para entrada no Museu para quem comprou online

Aos domingos o Museu é fechado, exceto no último de cada mês onde a entrada é gratuita, a bilheteria funciona de terça a sábado das 9h00 às 16h00 e o museu fecha às 18h00. Para chegar ao museu ,o meio mais fácil é o metro pegando a linha A em direção Battistini, descer na estação Ottaviano e caminhar algumas quadras. Na Piazza del Ressurgimento fica uma boa opção para um lanche, a Duecentrogradi e a Sorveteria Old Bridge que já comentei  NESTE POST AQUI(LINK).


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